Aliança Social Contra o Crack
RONDA CULTURAL
O projeto consta da transmissão — via capacitação — aos policiais que integram a Ronda Cultural, dos fundamentos que fazem a relação social da CUFA-CE com a juventude nas comunidades.
Serão realizadas oficinas de música / sonoplastia (DJ), hip-hop (literatura popular), artes visuais / graffiti (arte de rua), expressão corporal /teatro (intervenção de rua) e dança / break (dança de rua). Segue um histórico do lançamento.
O coordenador do Ronda do Quarteirão, Cel. Joel Costa Brasil, o secretário de Segurança Pública
e Defesa Social do Ceará, Roberto Monteiro, o secretário de Cultura do Ceará, Auto Filho, e o
coordenador da CUFA-CE, Preto Zezé, articulam o início do projeto Ronda Cultural (em 03/04/09)
POLÍCIA ADOTA MODELO DE ATUAÇÃO POR SUGESTÃO DA CUFA
A CUFA Ceará enviou ao governador Cid Gomes — através de seu coordenador Preto Zezé —uma foto do rapper MV Bill cantando rap e discursando a bordo de um carro semelhante ao “Caveirão” (viatura do BOPE-RJ) no centro de Madureira , no Rio. Após receber a foto, o governador decidiu agendar reunião com os titulares das pastas da Cultura e Segurança Pública e autorizou a realização de um projeto-piloto: o embrião do que seria o Ronda Cultural.
O programa Ronda Cultural — fruto da parceria celebrada entre as secretarias estaduais de Segurança Pública e Defesa Social, da Cultura e a CUFA-CE —, foi lançado na sexta-feira (3 de março) no auditório da sede da SSPDS em Fortaleza.
Na solenidade, os representantes das pastas da Cultura e da Segurança, respectivamente os secretários Francisco Auto Filho e Roberto das Chagas Monteiro, e o coordenador geral da CUFA Ceará, Francisco José Pereira (Preto Zezé), contaram ainda com as presenças do Cel. Joel Costa Brasil, coordenador do programa Ronda do Quarteirão , do Comandante Geral da Polícia Militar, Cel. William Alves Rocha, do Comandante Geral do Corpo de Bombeiros, Cel. João Vasconcelos Sousa, do Superintendente da Polícia Civil, Luiz Carlos de Araújo Dantas, do perito forense Maximiliano Barbosa e da vereadora Eliane Novais (PSB), representando a Câmara Municipal de Fortaleza.

Composição da mesa: vereadora Eliane Novais, secretários Auto Filho e Roberto Monteiro,
o coordenador da CUFA Preto Zezé e o coordenador do Ronda do Quarteirão, Cel. Joel Costa Brasil
Antes da assinatura do protocolo de intenções, houve exibição de break ao som das pick-ups e de um painel grafitado na hora, onde um policial do Ronda do Quarteirão gesticulava um sinal de paz sustentando na outra mão um microfone, sob o letreiro “Ronda Cultural”.
B-Boy mostra um pouco de sua arte
Painel ilustrado pelo coordenador da CUFA Pantanal Davi Viana e equipe
Sob os aplausos: no som, o DJ Doido (Cristiano); no break, jovens integrantes de projetos da CUFA-CE; nas latas de spray, a equipe do coordenador da base CUFA-Pantanal, Davi Viana, que também faz aos domingos o programa Se Liga! O som do Hip-Hop, pela Rádio Universitária FM; na platéia, representantes das polícias militar e civil, jornalistas e integrantes e coordenadores das bases da CUFA na Região Metropolitana da capital cearense.

Coordenadores da CUFA Ceará, Zezé, e do Ronda Cultural Cel. Joel Costa Brasil
A iniciativa das instituições parceiras — SSPDS, SECULT e CUFA-CE — consolida um diferencial na forma de fazer segurança pública no Estado do Ceará, iniciada com a implantação do programa Ronda do Quarteirão em 2008. Agora, o Ronda Cultural visa moldar um novo modelo de ação policial, em que jovens das comunidades e jovens policiais deixem de ser apenas “atores de um conflito” e construam-se como agentes de mediação social e intervenção cultural.
“Estamos fazendo história e instituindo um inédito protocolo social pela paz”, resumiu o secretário estadual de Cultura Auto Filho. Na prática, o Ronda Cultural irá envolver equipes de policiais a bordo de viaturas contendo ferramentas culturais de áudio e vídeo, para desenvolver atividades integradas de música, expressão corporal (teatro e dança de rua) e artes visuais (graffiti). Estas equipes também contarão com artistas e técnicos da comunidade para montar a estrutura necessária às apresentações — inicialmente nos bairros Messejana e Conjunto São Miguel, na Zona Leste da cidade. Um total de 80 participantes, 40 policiais e 40 jovens, foram selecionados para uma capacitação.
O objetivo principal do Ronda Cultural é aproximar juventude e polícia, como ponto facilitador para a diminuição da violência. Esta aproximação se dará por meio de filmes temáticos e oficinas de arte e cultura, proporcionando um debate teórico-prático em uma nova proposta de relacionamento, desfazendo estigmas, estereótipos e preconceitos ainda existentes na relação entre estes dois públicos.

DJ Doido (Cristiano) recebe a atenção do Comandante Geral da PM, Cel. William (ao centro)
“Com este projeto, será possível implantar uma política de proximidade entre jovens e a polícia, com o auxílio da CUFA, visando a inclusão cultural da juventude e a formação de uma mentalidade de repulsa à violência e à droga”, completou o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Monteiro. Para ele, a palavra que sintetiza o programa é “fraternidade” — que, a partir de agora presente na segurança pública, fará avançar a coesão social.
.
Segundo o secretário de Cultura Auto Filho, a atuação do Ronda Cultural representa uma interferência na psicologia social para alterar a crise de valores reinante. “O Estado tem papel estratégico na conformação de uma nova pedagogia entre o aparato policial e a sociedade”, justificou.

Assinatura do protocolo de intenções: nasceu o Ronda Cultural
Expressando-se de forma mais direta, após destacar alguns integrantes da CUFA bem representativos do trabalho de resgate que vem sendo desenvolvido pela entidade, Zezé definiu o projeto como a chegada às comunidades de “tropas com objetivos de paz”. “Estamos aqui para construir um pacto na guerra pela paz”, finalizou.
Além da previsão de expansão do projeto em breve para outros bairros, a CUFA e seus parceiros já elaboram a ideia de criar, em futuro próximo, também o Ronda Esportiva, nos mesmos moldes do Ronda Cultural mas com atividades direcionadas para o esporte.
LEIA MAIS
http://www.sspds.ce.gov.br/noticiaDetalhada.do?codNoticia=1110&titulo=Reportagens&action=detail
DEU NA IMPRENSA: jornal O Povo, 04 abr 2009
Ronda cultural
Projeto aproximará policiais e jovens
Em breve, um dos carros usados pelo Programa Ronda do Quarteirão irá circular pelas ruas do Conjunto São Miguel, em Messejana, equipado de uma forma diferente da viatura convencional. É o projeto Ronda Cultural, uma tentativa do Governo do Estado de aproximar Polícia e juventude da periferia.
A ideia é equipar o carro com ferramentas de áudio e vídeo e chamar os jovens da comunidade para participarem de atividades culturais, como cinema, teatro e hip hop. O protocolo de intenções para implantação do projeto foi assinado ontem. A previsão é de que os trabalhos iniciem no fim do mês.
Para desenvolver o projeto, o Governo procurou a ajuda da Central Única das Favelas do Ceará (Cufa), que irá mediar o contato entre policiais e comunidade. "Esse é um momento histórico. Nossos jovens costumam ser encostados nas paredes como elementos suspeitos, sendo constrangidos de várias formas. Depois de anos de luta, estamos conseguindo ser ouvidos. A expectativa (da juventude) é de que o projeto dê certo", destaca o coordenador geral da Cufa, Francisco José Pereira, conhecido como Preto Zezé.
O titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Roberto Monteiro, explica que as atividades serão realizadas em locais públicos, como escolas. Haverá uma equipe de produção na viatura para a montagem da estrutura. Segundo o secretário, a escolha do Conjunto São Miguel para iniciar o projeto é por causa dos altos índices de violência na comunidade. Conforme Monteiro, a intenção é ampliar o projeto.
A estudante Letícia Araújo, 20, que mora no Lagamar, aprovou a ideia. "Lógico que a gente não pode generalizar, mas tem alguns (policiais) que agem de forma agressiva, sem dialogar. Acho que com esse projeto eles irão olhar a comunidade de uma outra forma. O convívio deve melhorar."
E-MAIS:
> Conforme o projeto, a aproximação entre jovens e Polícia se dará por meio de apresentações de filmes temáticos e oficinas de arte e cultura, proporcionando debates práticos e teóricos.
> O projeto também conta com a parceria da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), responsável pelo projeto de adaptação da viatura para o Ronda Cultural.
> A ideia é, no futuro, criar também o Ronda Esportivo, com atividades voltadas para o esporte.
> Em março, O Povo publicou uma série de matérias a partir de denúncias de abuso de autoridade policial na periferia de Fortaleza. As denúncias eram de jovens de bairros como Serviluz, Caça e Pesca, Praia do Futuro, Bom Jardim, Canindezinho, Granja Portugal, Parque São Vicente, Luciano Cavalcante e de áreas na Região Metropolitana de Fortaleza.
DEU NA IMPRENSA: jornal O Povo, 05 Abr 2009
Opinião
Ronda Cultural
O conceito é justamente tentar inverter a lógica perversa do jovem não ter perspectiva de vida
Um protocolo de intenções assinado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) vai possibilitar que o programa Ronda do Quarteirão passe a utilizar sua logística para oferecer uma maior aproximação entre o setor de segurança do Estado e a comunidade através de ações desenvolvidas na área cultural. O projeto, denominado Ronda do Quarteirão, deve ser implantado ainda este mês nas ruas do Conjunto São Miguel, em Messejana.
O Ronda do Quarteirão pretende desenvolver atividades visando a aproximação entre Polícia e a comunidade, principalmente com os jovens das áreas mais violentas da Capital, por meio de manifestações culturais como cinema, teatro, oficinas de arte, entre outras, seja promovendo a prática ou em forma de debate. A intenção é que os jovens passem a ocupar seu tempo ocioso explorando o potencial criativo, ao invés de cedê-lo as teias do crime.
Não há dúvida que iniciativas como esta devem merecer o aplauso da sociedade, ainda mais quando se sabe que os artifícios usados pela criminalidade para atrair os jovens são bem poderosos. Droga fácil, dinheiro, e a ilusão do poder em forma de grupos violentos sobre as comunidades em que residem, tornam-se, é inegável, importantes elementos de sedução para quem não tem perspectiva de futuro.
O conceito do Ronda do Quarteirão, ao que parece, é justamente tentar inverter essa lógica perversa do jovem não ter perspectiva de vida. Infelizmente, a escola e a família, que poderiam vir a ser balizadores nesse sentido, se ressentem de uma maior estruturação nessas comunidades pobres para assumir o papel que lhe deveria caber. A Policia, por sua vez, hoje, seja para o bem ou ao mal, parece ser o elemento que toma as dores da comunidade, como temos visto com a aceitação do programa Ronda do Quarteirão.
Essa aceitação, todavia, não pode se dar apenas através do método repressivo. Como mostrou recente série de matérias do O POVO, em alguns locais de Fortaleza o aparato policial introduziu o toque de recolher a partir de determinada hora do dia como forma de controle da violência. Se por um lado, muitos moradores consideram esse tipo de ação repressiva necessária, é preciso ficar claro que medidas do gênero são apenas paliativas na solução do problema.
O combate à criminalidade perpetrada por jovens não se resolve com violência. Mais do que reprimir, faz-se necessário que o poder público procure ser aliado daquele jovem, aumentando sua autoestima por meio de ações que valorizem seu potencial. Para isso, a arte continua sendo um ótimo instrumento.
DEU NA IMPRENSA: jornal Diário do Nordeste, 04/04/2009)
PREVENÇÃO
Segurança lança o “Ronda Cultural”
Galeria
Durante a solenidade na SSPDS, jovens apresentaram break (Foto Silvana Tarelho)
O Conjunto São Miguel, em Messejana, que não possui posto de saúde, quadra de esportes, posto policial militar e, somente agora, terá uma delegacia da Polícia Civil - apesar de ser considerado atualmente um dos locais mais violentos da Capital cearense -, será o palco do projeto-piloto do programa ‘Ronda Cultural’, lançado ontem, pela manhã, na Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
A iniciativa da SSPDS tem a parceria da Secretaria da Cultura do Estado (Secult) e a Central Única das Favelas (Cufa). “Escolhemos como primeira base de Conjunto São Miguel porque a juventude daquele bairro necessita urgentemente de alternativas que a leve para longe das drogas e da criminalidade”, ressaltou o secretário de Segurança Pública, Roberto Monteiro.
Depois de três visitas ao conjunto e reuniões com diretores de escolas e lideranças comunitárias do bairro, o secretário entendeu que ali seria o local perfeito para iniciar o programa que tem como objetivo principal aproximar os jovens da Polícia Militar.
O programa consiste em duas equipes de policiais que estarão a bordo de viaturas equipadas com ferramentas culturais de áudio e vídeo, preparadas especialmente para atividades integradas de música, expressão corporal e artes visuais (grafite).
Jovens da própria comunidade atuarão junto com os PMs neste trabalho.
“O programa, que já é desenvolvido em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, deve ser iniciado em Fortaleza ainda no fim deste mês. “Queremos, na prática, uma Polícia de proximidade”, disse Monteiro.
O titular da Secult, professor Auto Filho, considerou o momento como histórico para o Ceará. “Estamos selando um protocolo social pela paz e modificando a abordagem da Segurança no Estado. Estamos fazendo com que a própria Polícia possa se inserir no combate à criminalidade por meios não repressivos. E o detalhe mais importante: o Ronda Cultural começara justamente em um bairro em que a juventude é a maior vítima da violência. A pobreza vira criminalidade quando os valores são destruídos”. Para ele, o contato mais próximo dos jovens com os policiais militares é uma nova atitude. “Uma atitude que inicia uma nova cultura para a nossa política de Segurança”.
Um dos mais otimistas com o programa, durante a solenidade de lançamento, era Francisco José Pereira, o ‘Preto Zezé’, coordenador geral da Cufa no Ceará. “Estamos vivendo um momento revolucionário”.